domingo, 18 de abril de 2010

O Homem, este bicho em crise!

Dos originais “O apocalypse está vindo” - tomo I: O Homem, este bicho em crise!
Em tempos de banco de sêmen, para que serve o homem?
(afinal, para a perpetuação da espécie basta um homem!)

Aqui vai uma afirmação,
Um homem pode fecundar muito úteros.
E aqui vai uma constatação,
Isto não é prova de poder,
Mas prova de desimportância.
Qualquer um pode, não apenas eu.

Mas então querem aposentar o bilau?
Uau! Que coisa sem graça, que desgraça, que ameaça.
Não é nada disto, seu boçal.

O inferno é outro.
Se o horror da mulher é a solidão,
O horror do homem é a insuficiência (apenas não brochar é pouco, meu caro).
Mas enquanto a mulher fala, o homem disfarça,
E ingênuamente busca a resposta na ciência.

Enquanto a mulher tem inveja do pênis,
O homem teme o útero.
Enquanto a mulher gera vida e este tesouro ninguém pode lhe tomar,
O homem apodera-se do poder e oprime a mulher.
Mas quanta ilusão, o reprimido sempre retorna, e os fantasmas continuam a assombrar.

E neste impasse, onde não há passe de mágica, fica a questão.
O que querem então as mulheres? Que sejam escutadas!
O que os homens não querem? Que a história seja reescrita!

Mas um tempo acabou, a corda arrebentou, e a angústia aflorou.
Não se pode mais continuar a acreditar no que ninguém acredita mais.
Há uma mulher que sai da opressão,
E um homem que ainda insiste em possuir a mulher como um objeto de gozo.
Mas neste gozo há dor,
Não apenas da mulher ferida, mas também de um homem sem vida.
Em ereção, mas robotizado, automatizado, programado, um cyborgue.

Mas então, o homem está condenado à depressão?
Nada lhe resta senão insistir na ereção?
Claro que não, acorde mané, fazer junto é melhor que fazer sozinho.
Se cabe à mulher dar luz à vida,
Cabe ao homem introduzir a diferença dando nome à vida.
Pois não há vida onde um filho não se separa da mãe.
E se a função materna é desejar este filho, é função paterna dar-lhe um nome,
O que só é possível quando este deixa de ser, através do pai, um apêndice da mãe.
José Luiz de Carvalho
Psicólogo/Psicanalista

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