(ou, título alternativo: “Tenho um pinto, mas ainda sou um pinto”)
Da coletânea “O macho sou eu....socorro, mamãe!”
Setembro de 2008
Há homens,
Há meninos,
E há homens-meninos.
Todos tem pênis,
Mas nem todos tem falo.
Porque há uma diferença,
Entre ser o falo, e ter o falo.
Ser o falo é permanecer sendo o que falta à mamãe,
Ter o falo é desejar além da mãe.
Mas esta diferença não é um presente do tempo,
não é um ato pronto da vida,
não é algo que se compra,
E muito menos um privilégio do macho.
Deixar de ser menino e virar homem pelo corpo é fácil.
É uma solução hormonal.
O difícil é não acabar(se) em homem-menino,
Preservando um menino num corpo de homem.
Tendo pêlos, tendo gozo, tendo ereção,
Mas que decepção,
Ainda sonhando com os seios de mamãe.
Aos homens o enigma está colocado,
E a ser decifrado,
Numa aventura lenta, longa e misteriosa,
Sem piadas, sem exibicionismo, sem auto-idolatria, sem homofobia.
Onde ao final do percurso,
Deixe de ser objeto de gozo da mãe,
Provoque a admiração do pai,
E seja capaz de dar prazer e sustentar o desejo de outra mulher.
Porque não há fracasso maior para um homem,
Sendo um homem-menino deixar decepcionada esta outra mulher.
E como numa inútil batalha,
Ele a brandir o pênis como um troféu,
E ela a responder-lhe como uma mortalha.
José Luiz de Carvalho
Psicólogo/Psicanalista
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