domingo, 18 de abril de 2010

O HERÓI DE MUITAS MÃOS

Era uma vez um sujeito (tanto pode ser um homem como uma mulher) que esqueceu-se que tinha apenas duas mãos.

E esquecendo-se deste detalhe tão importante, dispunha-se a fazer tanto, e ao mesmo tempo, que tornou-se um herói.

Para uns, um herói heróico,
para outros, um herói mártir,
e para si, um herói divino,
mas, como todo herói, sempre patético.

E assim era, como sempre parecia.

Mas quanto mais o herói fazia, mais tinha por fazer, e enquanto tanto fazia, mais os outros lhe deixavam para fazer.

Com o tempo, neste lugar absurdo havia um herói de muitas mãos que tudo fazia, e os outros que nada fazendo, esqueceram-se das próprias mãos.

Mas, afinal para que servem as mãos?

A gente deste lugar concluiu que as mãos servem ou para se tornar herói, ou não servem para nada.

O que é uma pena, porque é pouco, e perigoso, pois esta gente dividiu-se entre aqueles que perdiam as próprias mãos porque se transformavam em muitas, e aqueles que também perdiam as próprias mãos porque se desfaziam delas.

E a propósito, o que você tem feito com as suas?



José Luiz de Carvalho
APAE/LAVRAS
Março.2001

Nenhum comentário:

Postar um comentário