(este texto faz parte da coletânea “Memórias Póstumas de um Gaiato”)
Setembro de 2009
Um surto de fertilidade nos atinge
Um golpe o destino nos impinge
Mulheres grávidas aos borbotões
Santo Cristo, que gente sem milonga e sem demora
Na calada da noite, na verdade nem tão calada assim
Na madrugada, ao amanhecer, a qualquer hora
Rapidinhas, vapt-vupt, ou elaboradas com grandes acrobacias e imaginação
Não importa o momento, o lugar e a condição
Para a cena primária poucas tem resistido à tentação.
E o resultado aí está
Embarrigadas, embuchadas, engravidadas, todas orgulhosas, lindas e felizes
Também pudera, são sonhos de todos os matizes
Uma penca
Uma multidão
Mulheres de todo o escalão
Felizes a balançar seu barrigão.
Do ponto de vista administrativo é um desastre
Uma pane na linha de produção
A alcova invadiu o relógio de ponto
Instalou-se o caos na escala de trabalho
Na primazia da gestação, há um excesso de ocorrência
Não tem outro jeito
Abram alas para ela passar, a mulher quase mãe tem preferência.
Contudo a fertilidade tem várias acepções
É o encontro de um sêmen esperto com um óvulo desperto
Como também o é uma semente que encontra uma terra generosa e úmida
E assim sendo fica um desafio, para cada um e para todos nós
Que semeadura temos feito na vida?
Que novidades temos introduzido em nossa rotina?
Ou apenas nos resignamos a uma suposta sina?
Que transformações temos tido a coragem de provocar?
Que temos refletido de novo diante do espelho que nos evoca?
A que a vida nos convoca, e que apesar de férteis, temos respondido com um ato estéril?
José Luiz de Carvalho
PSICÓLOGO/PSICANALISTA
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