domingo, 18 de abril de 2010

“A cama foi parar na sala”

(da série Um é pouco, Dois muito difícil, Três impossível)
Março de 2009

São tantas as queixas, são muitos os lamentos e tão freqüentes os murmúrios
Que dá para se perguntar: afinal o que está acontecendo no leito conjugal?
Parece que falta ação, e sobra decepção
As mulheres estão insones, e os homens em sono profundo
Que desgraça, o sexo perdeu a graça?
Mas isto é o fim do mundo!

De uns tempos para cá a porta do quarto se abriu
E todo o segredo se revelou um mito viril
Onde a mulher contentava-se em agradar ao parceiro
Enquanto ele sonhava estar num puteiro
Ela se reprimia num silêncio vil

Mas os tempos são outros, como se sabe o tempo é o senhor da razão
E como num motim orgástico
As mulheres rompem o pacto nupcial, rasgam sua bolha de plástico
E de rainhas do lar, que coisa cafona
Saem do trono, jogam o castelo no chão
Exigem direitos na cama e jogam os homens na lona

E agora José, João, Pedro, Francisco e Simeão?
O orgasmo deixou de ser um privilégio do macho
As mulheres também querem neste festim seu quinhão
Não vão se contentar em ser apenas depositária
Querem também ser mandatária

E elas estão certas, como não?
Sexo só para procriação, como sagrado dever do matrimônio, era coisa de antanho
Não dá para se estar casado como se o outro fosse um estranho
É preciso intimidade, desejo e sedução
Muito prazer, imaginação e posições de corar um cristão

Mas o homem perplexo ainda não decifrou
Os labirintos deste complexo
Entretanto não há muito mistério
Sexo é uma questão de vida, tanto para o homem como para a mulher
E é preciso muita adrenalina na cama
Vale até fantasia de garanhão e messalina
Para não fazer do casamento um cemitério.

José Luiz de Carvalho
Psicólogo/Psicanalista

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