domingo, 18 de abril de 2010

Me engole que eu gosto

Que me desculpe o poeta (Vinicius de Moraes),
mas beleza não é fundamental.
Nem a feiúra.
Fundamental é a diferença!

Porque sem o feio não há o belo,
e nem a possibilidade de se ter opinião.

O trágico não é a feiúra,
e tudo o mais que se exclui incluindo-se aí dentro,
mas a tragédia se inscreve no padrão de igualdade imposto.

Um padrão de beleza, de saúde, de estética, de desempenho,
que aceitamos alegremente, e muito ingenuamente.

Será que ninguém percebe que estamos ficando iguais?

Iguais não porque nos tornamos todos belos, inteligentes,
competentes, elegantes, cheirosos, mas iguais indiferenciados.

Clones? Múmias? Fantasmas?
Escolham.

Ou, muitos vivas à feiúra, que nos deixa vivos.

Altos, baixos, alegres, tristes, lentos, acelerados, belos, feios, deficientes, lúcidos, alienados, capazes, firmes, trôpegos, novos, velhos, etc,etc,etc, mas vivos, singulares, surpreendentes.

Cheios de vida, e não, cheios da vida.

Jose Luiz de Carvalho
Março 2006

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