domingo, 18 de abril de 2010

“As viúvas”

Do livro “Homenagens Póstumas”
Capítulo I: O Enterro Imaginário

Numa bela manhã a corte se reuniu,
E antes que fosse tarde demais, sentenciou um corte.
E uma cabeça rolou!

Alguém da nobreza?
Um plebeu?
Um Zebedeu?
Um Boticário?
Um Bedéu?
Um galã?
Um apresentador de TV?
Ou alguém que não se vê?

E a multidão alvoroçada quedou-se em estupor, entre murmúrios e até chororô.
E, como sempre, apareceram as “viúvas”.
De todo tipo e de todo lugar,
Umas de busto farto, outras nem tanto, apareceu até viúva barbada.
Sim, mulheres e homens, ambos “viúvas”.
Que roubada!

Todos a chorar, a lamentar e até a amaldiçoar.
Penalizadas, penalizados,
Com o que não sabem,
Com o que não querem saber.

E aí formou-se o cortejo fúnebre das “viúvas” do enforcado,
Onde alternavam seus lamentos com imprecações à corte arrogante,
Enquanto murmuravam: “enforcaram um santo homem”!

Mas não percebiam que não choravam pelo finado,
E nem pela própria viuvez,
Mas porque não tinham vez na corte onde queriam ter assento,
E com atrevimento,
Decretar que outra cabeça cortar.

José Luiz de Carvalho
Diretor - Geral
Dezembro.2007

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