Bateram a porta na minha cara!
É uma metáfora?
É um fato?
Ou é um delírio?
Sinceramente, não sei.
Mas, é o que acredito, afirmo e insisto.
Bateram a porta na minha cara!
Aliás, depois desta, onde está minha cara?
Colada na porta?
Ou é a porta que ficou colada na minha cara?
Afinal, o que esta porta tem de tão importante?
Por que este horror?
Por que este fascínio?
Por que não consigo sair daí?
Que cola é esta que não me liberta?
Que porta é esta que não atravesso?
Que tormento, que tortura, que tontura!
Bateram a porta na minha cara!
Fiquei sem cara, fiquei sem porta.
E aí, perplexo, não tenho porta onde bater.
E, do outro lado, há alguém a me atender?
José Luiz de Carvalho
Novembro/2006
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